Por que esperei mais de três décadas para escrever o livro O Sequestro da Rua das Margaridas?
- Miguel Jacob
- 2 de jul.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 7 dias

Algumas histórias precisam de tempo. Não porque devam permanecer em silêncio, mas porque o momento certo para contá-las também faz parte da história.
Como nasceu o livro Sequestro da Rua das Margaridas
Por que, após 36 anos, resolvi escrever sobre aquelas 24 horas?
Durante muito tempo, essa pergunta permaneceu sem resposta — não para os outros, mas para mim mesmo.
Na época, o caso ganhou grande repercussão. Foi um dos sequestros mais comentados de Juiz de Fora, de Minas Gerais e, de certa forma, do país. Mas a informação circulava de outra maneira: limitava-se principalmente a jornais, revistas, rádio e televisão. Não havia internet, redes sociais nem a velocidade de divulgação que conhecemos hoje.
Desde o início, versões equivocadas começaram a se espalhar sobre o que realmente havia acontecido — desde a entrada dos sequestradores na casa até o momento em que fomos feitos reféns. No meu caso, por 24 horas.
Naquele tempo, isso não me causava grande desconforto. Era compreensível: as informações levavam mais tempo para chegar e, muitas vezes, chegavam incompletas ou distorcidas.
Os anos passaram. Vieram as novas tecnologias, a velocidade da informação e a multiplicação das vozes. Ainda assim, muitas dessas distorções permaneceram.
Foi então que compreendi que havia chegado a hora de contar a minha versão.
Não por busca de notoriedade. Não por desejo de exposição. Mas por uma necessidade simples e, ao mesmo tempo, profunda.
O livro O Sequestro da Rua das Margaridas nasceu da necessidade de registrar com fidelidade uma experiência que permanecera guardada por mais de três décadas.
O que vivi.
Para isso, era preciso voltar ao início.
Aos fatos.



Comentários